quinta-feira, 4 de abril de 2013

Igreja de Santa Cruz


 Corria o ano de 1581 quando Jerónimo Portilho, um professor que vivia na vizinha Rua de S. Marcos, decidiu fundar uma confraria, que sustentasse a devoção a um cruzeiro que existia no cruzamento da rua do Anjo com o Campo dos Remédios, no local onde hoje se situa a Igreja de Santa Cruz.

Este cruzeiro foi mandado construir pelo arcebispo D. Diogo de Sousa (1505-1532), num programa de reestruturação da cidade.

A Irmandade de Santa Cruz foi a primeira, para além da poderosa Santa Casa da Misericórdia, a alcançar o feito de ter uma igreja de grandes dimensões como propriedade exclusivamente sua. 

Foi no ano de 1624 que o Arcebispo D. Afonso Furtado de Mendonça assistiu ao lançamento da primeira pedra da igreja de Santa Cruz. Localizava-se no preciso local onde estava o cruzeiro que deu origem a esta devoção, junto a um lugar denominado de Castelo Rodrigo, por lá ainda existirem as ruínas de um torreão da velha muralha romana. 

A devoção à Santa Cruz está, contudo, associada à lenda na qual Santa Helena, mãe do Imperador
romano Constantino Magno, terá descoberto as relíquias da Cruz onde morreu Jesus Cristo.

Em 1625 o arcebispo Afonso Furtado de Mendonça benzeu o terreno onde iria ser implantado o templo, dando-se início imediatamente às obras.

A obra de pedreiro ficou concluída apenas em 1653, exceptuando-se as torres, que foram concluídas em 1694.

Apesar da morosidade da obra, a estrutura do templo cedo começou a dar sinais de ruína. Assim em 16 de Novembro de 1731 a mesa da irmandade convidou o mestre Manuel Fernandes da Silva, então ocupado a dirigir as obras de Mafra, para reparar os estragos do tempo. Este depois de demolir parte das paredes, abandonou a obra.

Apenas em 1734, se demoliu todo o corpo da igreja, ficando apenas a fachada, tendo as obras ficado completas em 1739.

Foram arquitectos da Igreja, o reverendo arquitecto Geraldo Álvares, o mestre de obras Francisco Vaz, o licenciado João Dias Leite e o Reverendo Pedro de Coimbra Andrade.

A fachada compõe-se de quatro meias colunas semi-circulares e caneladas, que sustentam uma viga, prolongando-se até ao frontão. No cimo uma cruz ladeada de duas imagens.

Os treze instrumentos da paixão de Cristo, como a coroa de espinhos, os cravos, a lança, o azorrague, a esponja de fel, etc. estão assinalados na arquitrave horizontal, figurando em cada extremo um galo.

No meio da frontaria sobressai uma cruz com duas bandeiras de mastro cruzado. Do lado esquerdo vê-se uma árvores com frutos, e do direito uma palmeira, simbolizando a cruz como árvore da vida.

No cimo do frontão está a esfera armilar, com a coroa real e as armas de Portugal. Por cima de uma pequena rosácea, a pedra de armas de Portugal foi colocada quando D. Afonso VI, em 11 de Outubro de 1822, elevou a irmandade de Santa Cruz à categoria de Real.


Nas padieiras estão as seguintes inscrições em latim:

IPSE LIGNVM TVNC NOTAVIT --- ANNO
VEXILLA REGIS PRODEVNT FVLGET CRVCIS MYSTERIVM
REGNAVIT A LIGNO DE(VS) --- MDCXXXXII
Sobre as três portas de entrada estão as seguintes inscrições:
ECCE ASCENDIMVS IEROSOLYMAN -- MAT XX
ET FILIVS HOMINIS
TRADETVR AD CRVCIFIGENDVM -- MAT XX

A coroar todo este conjunto vê-se um varandim que liga as duas torres, e a meio deste varandim a cruz.

Encimando o conjunto observa-se a Cruz à qual está agarrada uma figura que representa Santa Helena. Ladeando esta, outras duas figuras de joelhos e mãos erguidas, que têm sido identificadas como D. Afonso Henriques e o Imperador Constantino Magno, ambos ligados, segundo a tradição, a esta devoção.

As torres, de 1734, têm a encima-las dois cataventos.



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